Quase Nada Sobre Quase Tudo

sexta-feira, março 09, 2007



Estava lendo no site da revista ¨Veja¨ que na definição do antropólogo e anatomista alemão Rudolf Virchow, o homem é um ser humano ligado a um par de testículos e a mulher, por sua vez, um par de ovários ligado a um ser humano.


A enunciação de Virchow, considerado o pai da patologia moderna, norteou praticamente todos os estudos científicos sobre a fisiologia humana. Nos últimos 20 anos, porém, investigações científicas começaram a derrubar a clássica teoria de Virchow.
Homens e mulheres pensam, agem e sentem de modo completamente distinto (eu desconfiava, hehe).

Entre outras coisas, hoje já se sabe que o cigarro é mais nocivo para os pulmões delas do que para os deles. Que, quando eles sofrem uma obstrução coronariana, as artérias entupidas tendem a ser de grosso calibre – ao passo que, no caso delas, os vasos cardíacos atingidos são mais finos – e também que as células de defesa das mulheres são mais ativas – mas que, por seu turno, os homens são mais resistentes à dor.

Um exemplo bastante ilustrativo: 6 em cada 10 remédios disponíveis hoje no mercado são eliminados de forma mais rápida do organismo feminino do que do masculino. Isso quer dizer que o tempo de ação desses medicamentos tende a ser menor nas mulheres. É o que acontece com o anti-hipertensivo verapamil. Como o remédio desaparece mais velozmente da corrente sanguínea das mulheres, o tratamento não é tão eficiente entre elas quanto é entre eles. A explicação está na enzima CYP3A4. Ela é 40% mais ativa nas mulheres do que nos homens. Produzida no fígado e nos intestinos, a substância é uma das principais responsáveis pelo metabolismo de medicamentos em geral.

Sob o ponto de vista estritamente biológico, as diferenças mais marcantes entre homens e mulheres decorrem da interação entre os genes e os hormônios.

Asma, artrite reumatóide, epilepsia, diabetes e depressão, entre outros males, podem ter seus sintomas agravados pela falta de estrógeno.

As diferenças fisiológicas entre homens e mulheres são mais conhecidas na cardiologia. Até os anos 70, a doença cardiovascular era considerada um mal tipicamente masculino. Para cada mulher vítima da doença, havia 7 homens na mesma condição. Com o ingresso delas no mercado de trabalho e a conseqüente exposição ao stress, ao tabagismo e às dietas gordurosas, houve uma espécie de "feminização" dos distúrbios cardiovasculares. Hoje a proporção é de 1 para 3, no período em que a mulher ainda não chegou à menopausa. Depois do fim da produção dos hormônios femininos, protetores da saúde cardiovascular, mulheres e homens se igualam nas estatísticas de infartos e derrames. Pois bem, apesar da maior exposição do coração feminino aos perigos da vida moderna e de todos os avanços no desvendamento da fisiologia das mulheres, a cartilha da boa saúde coronariana continua a levar em consideração principalmente o coração masculino.

A preferência pelo sexo masculino como objeto de estudo médico era justificada basicamente por dois motivos: a montanha-russa hormonal a que as mulheres estão sujeitas todos os meses e o temor de que uma paciente engravidasse durante as pesquisas. E se ela abortasse por causa dos testes? E se a criança nascesse com alguma má-formação?

A ausência do sexo feminino nas pesquisas clínicas, contudo, desencadeou episódios trágicos. Na década de 50, o medicamento dietilestilbestrol (ou DES) era um antiabortivo bastante popular. Vinte anos mais tarde, notou-se que as meninas nascidas de antigas usuárias do DES eram mais suscetíveis a um tipo raro de câncer vaginal. Outro episódio igualmente triste foi o da talidomida. Aprovado no fim dos anos 50 para o controle das náuseas da gravidez, o medicamento causava deformações nos fetos. Antes de chegar à farmácia, a talidomida só havia sido testada em ratos de laboratório – e, entre as cobaias, não havia nenhuma fêmea que estivesse prenhe.

Foi apenas em 1993 que o governo americano obrigou a inclusão de mulheres em pesquisas sobre doenças e medicamentos – o que acabou por fazer com que fossem criadas legislações semelhantes em outros países. No Brasil, apesar de não haver uma legislação específica, a inclusão de mulheres faz parte da rotina das pesquisas clínicas. Atualmente, a participação das mulheres nos estudos clínicos mais cuidadosos, bem planejados, é de, em média, 20%. Pouco ainda, mas melhor do que ocorria até meados dos anos 90, quando a presença delas era praticamente nula.

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